LAR VIRTUAL

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A vida corrida e superficial nos tempos pós modernos impede que encontremos tempo para desenvolver relacionamentos profundos e transparentes. Nesse contexto as relações eu/eu e eu/outro sofrem alterações profundas mendiante a mais leve influência. As redes sociais, por exemplo, adicionadas ao cotidiano automaticamente após a compra de um simples e barato celular, produziram significativas mudanças nas relações interpessoais.

O reconhecimento da identidade – não o documento da carteira, mas a revelação de quem é – de uma pessoa, que outrora era estabelecido mediante o exercício no qual se investia tempo a fim de chegar à intimidade, hoje, contudo, é transformado num reconhecimento rotineiro, banal de características pessoais expressas numa única palavra, dentro do quadro “perfil”cujo título é “sobre”.

Os quadros de apresentação nas redes sociais achatam o indivíduo, pois, definindo-o com palavras secas, por assim dizer, apresentam as pessoas não de fato como são mas como gostariam de ser conhecidas. Os relacionamentos virtuais deformaram a identidade das pessoas, pelo menos no que diz respeito a profundidade de quem são na realidade. O problema é que, uma vez estabelecido o hábito, nos acostumamos a rotina de não mais nos preocupar com a profundidade e autenticidade da identidade do outro.

Como resultado assistimos a propagação de uma geração com medo de se relacionar (revelar-se), por isso a sensação de incompletude. Uma multidão, contudo se sentindo vazia. Uma grande população, mas com menos relacionamentos. Tanta gente, e a maioria com a sensação de solidão. É claro que é mais fácil morar num mundo virtual. Lá é tudo mais rápido, sem compromisso, sem cobrança, sem profundidade.

Contudo, e quanto a casa? A morada, onde nos sentiríamos seguros, a ponto de ser nós mesmos. O lugar no qual poderíamos nos desarmar e revelar nossas alegrias, esperanças e sonhos tanto quanto nossas angústias, dores e mazelas. O bendito espaço de concílio e pacificação. Lugar de troca de indentidades e construção de caráter. Sim, e quanto a casa?

A casa como lugar de relacionamento enfrenta uma resistência muito forte desde os anos 50 do século XX. Primeiro foi a Televisão, agora a Internet. As pessoas estão conectadas mas longe uma das outras. Estão acessando informação, mas não se conhecem mais. Asssim, a superficialidade, por isso a distância e a sensação de vazio.

Deus nos dê a graça de sabermos ser família como que num lar, mais do que ser uma turma como que num “grupo de conversa”. Que Ele nos ajude a ser controladores e não controlados pela Rede. Que tenhamos coragem para tomar decisões na direção do outro, fisica e emocionalmente. Que a nossa casa seja um lugar de harmonia e paz.

“E, levando-os à sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa.” (At 16:34)

Pr. Jonatas Liasch